Dissestes que eu escrevo como quem está tecendo com um fio muito fino, e me foi bonito saber disso. Então, agora, venho tecer-te algo. Coisa bonita, talvez. Como o que me dissestes. Só não garanto muita beleza, pois assim como andas dormente, eu ando me perdendo nessas linhas que, por consequência, só fazem nó. Mas bem, vou com calma, matendo o cuidado pra não entrelaçar palavras erradas.
Enquanto eu teço eu me distráio. Sempre. Sou daquelas que pensam tanto que se perdem, sabe? Mas logo o medo de errar me faz voltar à essas linhas soltas que no final, eu sei, hão de transformar-se em algum tecido que te agrade. Assim como o outono. E digo-te que ele também me agrada, apesar de aqui não ter. Aliás, muitas coisas que não tenho me agradam, e de tanto me agradarem eu chego a pensar que as conheço bem, e sim, talvez eu conheça mesmo e não saiba, ou talvez eu esteja próximo de conhecer. Mas voltando ao outono, se aqui não tem, eu vou pra um lugar que tenha, e já sei bem qual há de ser. E lá há de ter-te também, quem sabe?! E quem sabe, então, seja a oportunidade de eu dar-te o tecido bonito que acabei de tecer a ti.

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