O não-ter se torna dolorido, um incômodo, uma ausência que de tão abstrata se sente concreta, e mesmo que a consciência se faça presente, o coração não se conforma, talvez sim, talvez eu apenas minta pelo comodismo. Meu lado racional tão mesquinho, tão covarde, fecha todas as portas, mas é invadido pelo sentimental. Te vejo de longe e já estremeço, logo procuro me segurar em qualquer porto que existe dentro de mim, e sorrio. Já não sei se finjo ainda ser o que eu era quando era contigo, ou se continuo me sendo, porém agora sem ti. Pareço perder o meu auto-controle, e já não lembro se algo mais perdi. Você (me) perdeu. Não foi capaz de me reencontrar, e agora quem me procura sou eu. Te olho e vejo tudo o que já tivemos um dia. Se te abraço, sou coberta pela saudade. Me torno pequena, já não me enxergas mais com os olhos que antes me viam mesmo fechados. E já se tornas sem gosto, sem cheiro, ainda que palpável. Passas a ser, dentro de mim, a lembrança do que um dia existiu, e a agonia pra que o esquecimento aconteça logo.
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