
Fui te encontrar. Quando cheguei já estavas sentada, olhando pro nada e fumando um cigarro. Não sei por que fui, nem se me esperavas, talvez eu encontrasse todas as respostas no decorrer de uma conversa. E haveria conversa? Como de costume, o normal seria o silêncio nos fazendo companhia, mas até que dessa vez foi diferente, me falastes o quanto estavas se sentindo bem e eu falei do quanto eu gosto de ficar naquele lugar. Não houve reciprocidade, tuas palavras se perdiam entre as minhas e vice-versa. Lembro de ter ficado horas te olhando enquanto tu olhavas os teus pés fazerem força sobre o chão até conseguires sair do lugar, se balançando, cheguei a me sentir como qualquer folha que estava, ali, caída ao chão, indiferente, e acabei percebendo que as coisas já não eram mais as mesmas, nós duas já não éramos, já não havia qualquer tipo de laço, teus olhos fugiam dos meus e os meus só queriam um motivo pra não te encarar. E depois de nada - tudo seria um ilusório exagero - me dissestes que o melhor seria eu ir embora dali, que já não havia mais amizade, nem afeto, nem nada. Foi quando eu virei as costas e segui um caminho qualquer, olhando pra trás eu só pude ver teu corpo sobre o chão pedindo por, pelo menos, um pouco de mim. Tentei voltar, juro, mas antes que eu desse um passo pra trás, acordei.

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